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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Esboço de Sermão

 
     1 Samuel 17:31-58
 
     Afrontas físicas, psicológicas e espirituais
 

UMA ESPIRITUALIDADE CONSCIENTE

m. peres s.
 
     observa, vê e sabe
 
     I – Sabe que pode enfrentar grandes perigos
 
     vv. 33, 44 – infortúnios
      com os homens de Deus, foi assim.
     Ninguém está isento
 
 

     II – Sabe que Deus está presente em qualquer situação

 
     vv. 37, 46, 47 – o Anjo de Senhor
 
 
     III – Sabe que basta um homem de fé
 
     vv. 32 e 45 – para que as coisas aconteçam
     não é  o número que importa – Salmo 44:1-3
     Tem a sua maneira de fazer as coisas.

Con la gracia de Dios  - M. Peres S. 

vIDA cRISTÃ

 
Capítulo Cinco
 
Fome de justiça
 
Na história da espiritualidade cristã, o tema da abnegação é de suprema
importância. Santos de todos os tempos têm reconhecido que a vida espiritual não tem a
ver apenas com o que recebemos, mas também com o que oferecemos. É este
movimento de dar e receber que traz equilíbrio à nossa fé.
Na tradição wesleyana, particularmente no que diz respeito aos meios de graça, o
elemento da abnegação é mais visível na disciplina do jejum. É bastante significativo que
Wesley tenha incluído o jejum entre os cinco meios institucionais de graça. Ele estava
convicto de que o jejum era "perfeitamente enraizado na igreja de Deus" (1) e praticado
pelo próprio Cristo (Mt 6.16). Isto era motivo suficiente para justificar esta prática em seus
dias.
A defesa que Wesley fazia do jejum não desconhecia o fato de terem abusado dele
através dos séculos, tomando, por vezes, formas bizarras. Ele escreveu: "Dentre todos os
meios da graça, nenhum tem experimentado maiores extremos do que... o jejum
religioso" (2). A sua própria vida, particularmente durante o Clube Santo e a estadia na
Geórgia, EUA, foi um desses casos. Mas se não houvesse exageros, Wesley acreditava
que a prática do jejum representava um auxílio decisivo no crescimento espiritual.
Ao abordarmos este assunto, será de grande ajuda examinarmos os principais
aspectos de uma teologia Wesleyana com relação ao jejum. A partir daí poderemos
passar a examinar as práticas do próprio Wesley e dos primeiros metodistas.
Fundamentados nisso, estaremos em condição de poder estabelecer o nosso próprio uso
da disciplina do jejum na formação espiritual.
O tratamento mais sistemático que Wesley deu ao jejum está em seu sétimo
discurso sobre o Sermão do Monte. Este sermão faz parte dos Sermões Principais, que
oferece outros significados doutrinários ao seu conteúdo. Estaremos mais seguros se
tentarmos apenas captar as idéias que Wesley apresenta nesta mensagem.
Ele reconhecia a definição fundamental de jejum na Bíblia: abstenção de alimento.
Ele também estava ciente de que a Bíblia continha exemplos de práticas adicionais que
acompanhavam o jejum, mas que não tinham, necessariamente, uma ligação com ele. A
estas Wesley chamava de "circunstâncias indiferentes" (3). A sua principal preocupação
era a de defender o jejum como uma disciplina em si própria e sem adornos adicionais.
Wesley estava consciente de que a duração do jejum variava muito nas Escrituras,
chegando ao extremo de durar quarenta dias e quarenta noites. Mas ele acreditava que a
prática mais comum era a de jejuar por um dia, de manhã até o anoitecer. Ele não só
encontrou sustentação bíblica para isto, mas também evidências de que esta era a
prática mais comum da igreja primitiva. Wesley sabia que quartas e sextas-feiras eram
amplamente reservadas ao jejum pelos primeiros cristãos, e que a estes eram
acrescentados outros dias de jejum ao longo do ano (4).
Biblicamente, Wesley estava disposto a reconhecer vários tipos de jejum. O mais
comum era não comer qualquer alimento durante o período designado para o jejum. E
importante notar que Wesley não se opunha ao uso de líquidos durante o período,
mesmo sabendo que poderia haver ocasiões em que a pessoa não comeria nem beberia
nada. O segundo tipo era a abstinência, que ele achava que poderia ser usado quando a
pessoa não podia observar um jejum completo. Uma pessoa doente poderia escolher
esta forma. É interessante que Wesley não conseguiu encontrar exemplos deste tipo de
jejum na Bíblia, mas ele escreveu: "Não ocorre nenhuma passagem nas Escrituras
alusiva a tal prática, mas não a posso condenar, desde que a Escritura não o faz. Ela
pode ter sua utilidade – e sem dúvida recebe a bênção de Deus." (5). O terceiro tipo era
abstenção de alimentos de prazer. Este tipo de jejum era usado nas Escrituras por
aqueles que não queriam se contaminar com refeições faustosas.
Neste ponto surge um importante princípio. Wesley distanciou-se propositadamente
de um setor da tradição cristã que enfatizava o lado da mortificação corporal no jejum. Ele
se opunha terminantemente à utilização do jejum que buscasse provar a espiritualidade
pelos exageros do ascetismo físico. Ele escreveu: "Sim, o corpo pode por vezes estar em
más condições para poder responder aos desafios do nosso chamado. Temos que
prevenir-nos diligentemente contra isto; pois temos que preservar a nossa saúde como
uma boa dádiva de Deus" (6).
Em resumo, quando encarado de modo sensato e numa perspectiva bíblica, o jejum
pode ser uma disciplina benéfica. Poderia ser usado por pessoas movidas pela
convicção, por pessoas cientes das intemperanças no comer e beber, e por aqueles que
queiram encontrar mais e melhores ocasiões para a oração (7). Na verdade, o que
Wesley mais queria realçar na vida devocional era a ligação entre o jejum e a oração. É
por isso que os crentes poderiam dedicar-se a jejuns regulares, sem esperarem por uma
crise espiritual que os levasse a jejuar.
Na prática de qualquer disciplina espiritual, somos auxiliados pelo exemplo de
outras pessoas, mesmo que não tenhamos que segui-los em todos os pormenores. Na
prática do jejum, o exemplo de Wesley é benéfico, pois enfatiza o equilíbrio. Normalmente
ele seguia o costume da Igreja Anglicana que encorajava o jejum às sextas-feiras,
durante a Quaresma, os quatro dias de têmporas (são quatro jejuns celebrados pela
Igreja e relacionados com o ritmo sazonal, a saber: o Terceiro Domingo do Advento, o
Segundo Domingo da Quaresma, O Domingo da Trindade e o 26° Domingo do ano,
juntamente com as Quartas-feiras e os Sábados precedentes) e os três dias anteriores à
comemoração da ascensão de Cristo (8). Entre 1725 e 1738, quando Wesley estava
conscientemente moldando suas práticas a partir da igreja primitiva, ele jejuava às
quartas e sextas-feiras. Depois de 1738, contudo, ele parece ter retornado à prática do
jejum às sextas-feiras. Em suma, Wesley foi um fiel exemplo e exortava os primeiros
metodistas a que também o fossem.
Tomando uma sexta-feira como exemplo, podemos reconstruir os principais
aspectos dos períodos de jejum de Wesley. Ele começava a jejuar após o jantar da
quinta-feira. Geralmente ele não voltava a comer até sexta-feira à tarde, quando tomava
chá. Mas, como já vimos, Wesley costumava beber algo durante o jejum (água, chá ou
caldo) se achasse que isso era necessário para a sua saúde. A ênfase principal estava
em dedicar aquele tempo à oração. Segundo Wesley, o propósito geral era que (o jejum
fosse) "...observado em função de Deus, com os nossos olhos fitos nele. Que a nossa
intenção seja esta, e só esta, de glorificar o nosso Pai que está nos céus; de expressar a
nossa tristeza e vergonha pelas nossas muitas transgressões da sua lei santa; de esperar
um aumento da graça purificadora, trazendo as nossas afeições mais perto das coisas do
alto; de aumentar a seriedade e empenho das nossas orações; de desviar a ira ele Deus,
e de obter todas as grandes e preciosas promessas que Ele nos tem feito em Jesus
Cristo" (9).
Partindo do princípio de que aquilo que aprendia isso também ensinava, Wesley
encorajava os primeiros metodistas a incluírem o jejum em sua formação espiritual. Nas
Regras Gerais de 1743 Wesley encorajou as Sociedades Unidas a praticarem o jejum
como uma forma de "dar atenção a todas as ordenanças de Deus" (10). Nas Regras
Gerais Wesley não especificou a época, freqüência ou duração do jejum. Mas muito cedo
neste movimento a sexta-feira veio a tornar-se o dia de jejum para o metodista.
Em 1744, quando Wesley dirigiu a primeira Conferência Anual (que equivale ao
Concílio Geral ou Regional na Igreja Metodista no Brasil), ele abordou a questão do
jejum. Escreveu: Deus "encaminhou-vos ao jejum no começo da vossa jornada. Com que
freqüência jejuais? Todas as sextas? Em que grau? Eu decidi comer somente legumes às
sextas-feiras, e somente torrada e água pela manhã" (11). Nessa altura da sua vida
podemos perceber que Wesley praticava a abstinência mais do que o completo jejum e
recomendava o mesmo aos seus pregadores na Conferência. A rejeição do ascetismo
rigoroso e a primazia da oração e da devoção continuam a caracterizar o espírito do
jejum metodista.
Em 1768, Wesley emitiu uma diretiva às sociedades, afixando dias regulares de
jejum em setembro, janeiro, abril e julho. Além disso, a Conferência Anual adotou ainda
mais a prática do jejum às sextas-feiras. É interessante que a questão do jejum tenha
levado à discussão da perfeição cristã, assim demonstrando que na busca da santidade a
prática da abnegação era significativa (12). Wesley também continuava a encarar o jejum
como um ato freqüentemente utilizado por Deus para abençoar o povo com o
reavivamento (13).
Quando inquirimos acerca do sentimento dos primeiros metodistas quanto ao jejum,
a atitude de Hannah Ball (uma metodista que organizou uma Escola Dominical para
crianças em 1769, 11 anos antes de Robert Raikes, considerado por muitos o fundador
da Escola Dominical) é típica. Ela escreveu que o dia semanal de jejum era "um dia de
privação para o meu corpo, mas um dia de festa para a minha alma". Neste mesmo
registro ela afirmou que esse era um tempo de "incomum liberdade de espírito e
comunhão com Deus" (14).
Ao concluirmos o nosso exame do jejum dos primeiros metodistas, seria bom
resumirmos os elementos principais que o tornaram significativo.
Primeiramente, era um ato que glorificava a Deus, permitindo um tempo maior para
a oração. Na vida espiritual, constituía um ato tangível que verificava a prioridade do
espírito sobre a carne. Neste sentido, Wesley não se opunha ao jejum como forma de
protesto contra as práticas indulgentes de outras pessoas na sociedade, embora nunca
com uma atitude de "eu-sou-mais-santo-do-que-vocês". O jejum deveria ser encarado por
todos como um ato de reverência a Deus e prova de que a vida poderia ser vivida com
moderação, mantendo as dimensões material e espiritual em equilíbrio.
Pode-se perguntar se as mesmas questões não se levantam nos nossos dias em
relação à prática contínua do jejum. Devemos adotar todo e qualquer ato de adoração
que resulte em uma maior glorificação de Deus. Numa sociedade que muitas vezes dá
valor às coisas tendo em vista o consumo, o exemplo da abnegação é ainda notável. O
jejum é ainda uma forma legítima de demonstrar a supremacia das coisas espirituais.
Para a igreja, tanto hoje quanto então, Deus abençoaria o jejum coletivo com
reavivamento e renovação.
O exemplo wesleyano serve-nos bem no processo de restaurar o jejum a um lugar
significativo na vida espiritual, sempre com cautela para evitar práticas excessivas
desnecessárias. Uma espiritualidade madura fará bem em aproveitar as ocasiões em que
a atenção para com o corpo pode ser preterida em favor da atenção a Deus.
 
Questões para Discussão
1. Que novos discernimentos você adquiriu através da leitura deste capítulo? De
que modo você pretende implementá-los no avanço da sua formação espiritual?
2. Compare os seus próprios motivos para jejuar com aqueles expressos por
Wesley. Quais as reformulações que precisam ser feitas? Por quê?
3. Você já ouviu outras pessoas darem suas razões para o jejum? Você acha que
essas razões precisam ser reformuladas à luz deste capítulo?
4. Você tem alguma idéia para restaurar o jejum a toda a igreja? O jejum coletivo
tem lugar no Corpo de Cristo hoje?
 
Notas
1. Wesley, Notes Upon the New Testament, p. 39.
2. Jackson, Works 5:345.
3. Jackson, Works 5:346.
4. Jackson, Works 5:346-47.
5. Jackson, Works 5:346.
6. Jackson, Works 5:359.
7. Jackson, Works 5:348-51.
8. Frank Baker, ed., The Works of John Wesley (New York: Oxford University Press,
1975), 11:79. O editor do volume 11 foi Gerald R. Cragg.
9. Jackson, Works 5:357-58.
10. John Wesley, The Nature, Design and General Roles of the United Societies in
London, Bristol, Kingswood and Newcastle upon Tine, (Newcastle-Upon-Tyne: publicado
por John Gooding, 1743), p.8. Cf. Jackson, Works 8:271.
11. "Conference Minutes of 1744" Publications of the Wesley Historical Society, Nº 1
(London: C. H. Kelly, 1896), p. 17.
12. Leslie Frederic Church, More About the Early Methodist People (London:
Epworth, 1949), p. 278.
13. Telford, Letters 5:112.
14. John Parker, ed., Memoirs of Miss Hannah Ball of High Wycombe (London:
Mason, 1839), pp. 39-40

CONVITE À FILOSOFIA

 
A outra dimensão da linguagem
 Marilena Chauí

Para referir-se à palavra e à linguagem, os gregos possuíam duas palavras:
mythos e logos. Diferentemente do mythos, logos é uma síntese de três palavras
ou idéias: fala/palavra, pensamento/idéia e realidade/ser. Logos é a palavra
racional do conhecimento do real. É discurso (ou seja, argumento e prova),
pensamento (ou seja, raciocínio e demonstração) e realidade (ou seja, os nexos e
ligações universais e necessários entre os seres).
É a palavra-pensamento compartilhada: diálogo; é a palavra-pensamento
verdadeira: lógica; é a palavra-pensamento de alguma coisa: o "logia" que
colocamos no final de palavras como cosmologia, mitologia, teologia, ontologia,
biologia, psicologia, sociologia, antropologia, tecnologia, filologia, farmacologia,
etc.
Do lado do logos desenvolve-se a linguagem como poder de conhecimento
racional e as palavras, agora, são conceitos ou idéias, estando referidas ao
pensamento, à razão e à verdade.
Essa dupla dimensão da linguagem (como mythos e logos) explica por que, na
sociedade ocidental, podemos comunicar-nos e interpretar o mundo sempre em
dois registros contrários e opostos: o da palavra solene, mágica, religiosa,
artística, e o da palavra leiga, científica, técnica, puramente racional e conceitual.
Não por acaso, muitos filósofos das ciências afirmam que uma ciência nasce ou
um objeto se torna científico quando uma explicação que era religiosa, mágica,
artística, mítica cede lugar a uma explicação conceitual, causal, metódica,
demonstrativa, racional.